Bem antes do povoamento do Piauí, ainda quando aventureiros do Velho Mundo competiam na conquista do Mundo Novo, os índios Tacarijus já tinham ultrapassado a serra da Ibiapaba e se assenhoreado das mais belas terras piauienses.
A mais antiga documentação que se tem noticia sobre os índios Tacarijus data do século XVI, foi escrita pelo padre franciscano André de Thévet que percorreu o Nordeste brasileiro pelos anos de 1580 e deu conhecimento dessa etnia ocupando belas terras cercadas de brejos, rios, muita palmeira e frondosas árvores, especialmente, carnaúba, buriti, tucum, babaçu, gameleira, ipê e outras, além de grandes nascentes de águas cristalinas que emergiam do solo. Hoje, essas terras são chamadas de Tiririca, Roça Velha, Irauçuba, Canabrava, Olho d'água, Canto, São Luis, Lagoa e Brejo Grande. Os historiadores acreditam que os Tacarijus vieram do Rio Grande do Norte, estado também, pertencente à região nordeste do Brasil.
Por causa dos contatos com os franceses de quem eram fieis amigos, os Tacarijus tinham uma cultura bem superior às outras tribos vizinhas. Entretanto, não se tem registro quando se deram os primeiros encontros entre os franceses e Tacarijus, mas se tem informações de que por vários anos, os franceses que já iam até a ilha do Maranhão, conviveram com aquela tribo e com ela comercializavam tintas, resinas, ouro, prata e salitre.
Em 1604 Pero Coelho atacou a serra da Ibiapaba e os índios Tabajaras que dominavam aquela região se renderam aos lusitanos, os Tacarijus, não. Os franceses aproveitaram e persuadiram os Tacarijus a odiarem os portugueses e seus aliados. Por isso, aquelas tribos se tornaram inimigas.
Em 1606 chegaram à região da Ibiapaba os padres jesuítas Francisco Pinto e Luis Figueira com a missão de converter os silvícolas à fé cristã e a fidelidade ao Rei de Portugal. Os silvícolas da serra logo aceitaram a doutrinação missionária, os Tacarijus influenciados pelos franceses se negaram aos diversos apelos que lhes foram feitos e julgaram os missionários como feiticeiros.
Em 11 de Janeiro de 1608 os Tacarijus mataram o padre Francisco Pinto, aliado dos portugueses que se encontrava na região, na esperança de conseguir a conversão daquele povo. A insistência do jesuíta em ir visitá-los, deixaram os Tacarijus irritados. O massacre do padre foi dentro da Capela do povoado que mais tarde veio a ser o município de São Miguel do Tapuio.[5][6]
Quando os índios Tabajaras souberam da brutal morte do missionário, seu aliado, atacaram os Tacarijus de modo, também, brutal com o objetivo de exterminá-los e os perseguiram, fazendo-lhes guerra por toda a parte. Os Tacarijus não se deixaram dominar, preferiram lutar até tombar o seu último guerreiro. Para que lhe conservasse o nome e a memória dessa Nação se tem noticia apenas, da existência de uma cabeça de um Tapuia (nome que também, era dada a etnia Tacarijus) pendurada em uma gameleira, árvore da família das moráceas fícus. Em Junho de 1608 foi celebrada a primeira missa de absolvição dos pecados Tacarijuenses.
Em Junho de 1692, Bernardo de Carvalho de Aguiar, descendente de família nobre portuguesa, originária da Península Ibérica, dos Aquilar da Espanha, se apossou do antigo berço dos Tacarijus e fez seu primeiro curral em terras piauienses, criou gado e construiu casas. Portanto, São Miguel do Tapuio tem a glória de ter a maior figura da História Colonial do Piauí, como precursor de sua fundação. Quando Bernardo de Carvalho chegou àquela aldeia abandonada, já haviam passado 84 anos dos fatos de tão triste lembrança e daqueles silvícolas nenhum sinal encontrou, além da memória perpetuada no inglório nome que a terra recebeu. Porém, conservou-lhe o nome que a lembrança de um triste fato a fizera conhecida e a denominou de Cabeça do Tapuia. Bernardo de Carvalho de Aguiar faleceu no Maranhão em 1730.